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Por | 23.out.2011

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O Livro dos Espíritos é uma obra escrita por Allan Kardec no século XIX. Base de diversos grupos de estudo da doutrina espírita, nasceu na França mas, inegavelmente, se tornou livro de cabeceira de muitos brasileiros, reforçando a constatação de que o país é um dos alicerces do pensamento espírita no mundo.

Talvez por esse histórico, O Filme dos Espíritos possa ser visto como uma tentativa insípida de homenagear a obra de Kardec, caindo na frágil argumentação de que o tema dá grandes escalas de liberdade poética para o tratamento da história.
No longa-metragem de André Marouço e Michel Dubret, a morte, a vida, o que há além dela e como as pessoas lidam com isso são assuntos pontuais e dispersos em diversos enredos.

O Filme dos Espíritos foi costurado por meio da seleção de oito curta-metragens realizada pela produtora Mundo Maior Filmes, ligada à Fundação Espírita André Luiz e responsável por alguns meios de comunicação com caráter educativo e espírita. Por ser um projeto em que cada história tem argumento isolado, a tarefa de integrar personagens e situações se tornou aparentemente complicada de ser cumprida.

Na história que parece ser a central, Bruno Alves (Reinaldo Rodrigues) é um psiquiatra que ficou viúvo e vê o suicídio como resposta para seu desespero. O sentido da tragédia se inverte quando Bruno cruza com muitas pessoas, bastante aleatórias, que trazem questionamentos filosóficos sobre o rumo que ele está tomando.

Entre as passagens, encontra Levy (Nelson Xavier) que também é psiquiatra e atende pacientes nas Casas André Luiz, uma entidade assistencial que realmente existe e faz parte da Fundação.

O drama se desenrola com destaque para esses dois personagens, mas nem mesmo essa relação quase paternal entre Levy e Bruno faz do filme mais intenso.

Tudo é muito raso, desde as falas sobre a doutrina espírita às cenas em que se sugere comunicação entre os vivos e os mortos. Há poucos momentos emocionantes no longa, muito diferente da sensibilização que outros filmes, como Chico Xavier e Nosso Lar, geraram no público.

Diante de uma trama confusa, o público se detém às frases de efeito diluídas em cada história e à participação especial, porém pouco proveitosa, de Luciana Gimenez (madastra de Bruno).

É inegável perceber que não se considerou nem a profundidade e riqueza de O Livro dos Espíritos nem a linguagem fluida e educativa que um filme desses poderia ter.

O Filme dos Espíritos tem direção de André Marouço e Michel Dubret. Roteiro de André Marouço. No elenco, Reinaldo Rodrigues, Nelson Xavier, Ana Rosa, Briza Menezes, Alethéa Miranda, Ênio Gonçalves.
Participações especiais: Etty Fraser, Sandra Corveloni, Luciana Gimenez

Por | 25.fev.2011

Deborah Secco como Bruna Surfistinha

Em 2009 o mundo do cinema nacional recebeu a notícia que a história da garota de programa mais famosa do Brasil viraria filme. Alguns torceram o nariz e outros – assim como eu – ficaram curiosos para saber o que um diretor iniciante – com uma boa verba – faria com a história de Raquel Pacheco. Pois bem, depois de quase dois anos chega aos cinemas nacionais, Bruna Surfistinha.

Se você anda desconectado com o mundo e não sabe quem é Bruna Surfistinha, é só colocar o nome da moça no Google Imagens e ver diversas fotos da “patricinha” de classe média que largou a sua “boa vida” para se aventurar em prostíbulos e boates da noite paulista. Raquel Pacheco (nome verdadeiro de Bruna) ficou famosa nacionalmente em criar um blog contando detalhes de suas experiências sexuais, que anos mais tarde se transformou em um livro que virou Best Seller e traduzido para mais de 15 idiomas.

Quando a pré-produção de Bruna Surfistinha começou, o diretor escalou a atriz Karen Junqueira para viver a personagem. Karen declinou devido a um contrato com a emissora a qual trabalha, assim dando lugar a Deborah Secco. O filme então encontrou a sua protagonista, que assim como Bruna Surfistinha “fez tudo o que eles queriam”. Deborah é a alma do filme, sua atuação é impecável e surpreendente, é o tipo de atriz que todo diretor gostaria de ter nas mãos, totalmente entregue e a mercê da personagem. Quando Bruna ainda é uma estudante do ensino médio, vemos uma Deborah escolar completamente diferente da mulher fatal que vem nos minutos seguintes.

Se Deborah é a alma a direção é o corpo. O diretor iniciante Marcus Baldini tinha a faca e o queijo na mão para tornar as cenas de sexo cruéis e pesadas. Elas não deixam de ser um tanto quanto reais, só que a delicadeza de como a câmera é posta e de como as cenas são conduzidas só agregam ao ótimo trabalho de Marcus. Além disso, Marcus trabalha sequências e planos muito utilizados por filmes comerciais americanos, mas de uma maneira sutil e principalmente deixando a sua marca – como Marcus vem da publicidade é nítida a preocupação estética das coisas. Marcus também soube escalar um elenco de primeira e que dão o suporte necessário para que o filme consiga decolar e ter momentos engraçados e dramáticos sem se tornar brega.

Poucas coisas incomodam no filme, a narração é algo que se não fizesse parte, não faria falta. A história é bem clara e redonda. Porém existem pequenas falhas de roteiro e de lógica, mas nada que comprometa o resultado final que é mais que mediano.

Bruna Surfistinha tem todos os elementos para se tornar o grande filme comercial do ano. Possui elementos “hollywoodianos” que sinceramente agregam – como a trilha sonora, por exemplo – além disso, o cuidado e o capricho técnico é algo que faz valer cada centavo do ingresso.

Não chega a ser uma obra prima, muito menos pode ser rotulado como “Cult nacional”. Bruna Surfistinha alia a qualidade técnica com a surpreendente atuação de Deborah Secco, que acertou ao dizer que este é o papel de sua vida.

Rubens tem 22 anos. É publicitário e cinéfilo. Sigam o cara no @rubensdefarias











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