“Tropa de elite 2″, de José Padilha, tornou-se o filme mais visto da história do cinema brasileiro, com um total de 10.736.995 espectadores acumulado após nove semanas de exibição.

Quem acompanhou desde o começo a movimentação dos cinemas em torno de Tropa de Elite 2 recebeu sem surpresa a notícia divulgada na última semana. Nós já esperávamos que algo assim fosse acontecer.

Mas ainda assim, quando a confirmação realmente chegou, uma emoção, daquelas que criança sente quando ganha um presente – mesmo quando já sabe que vai ganhar alguma coisa – tomou conta de muita gente.

Eu nem era nascida quando um filme nacional levou mais de 10 milhões de espectadores para as salas de cinema.  Muitos anos se passaram e os “filmes brasileiros” não chegavam nem perto de atrair tão grande público.

Lembro-me de que quando mais nova, eu mesma não me interessava pelas produções nacionais, e não me dirigia a salas de cinema onde as falas dos personagens não precisassem ser legendadas para ser entendidas. Fiz parte, no entanto, do público que começou a prestar mais atenção quando Cidade de Deus chegou aos cinemas.

A partir daquele ponto, ao menos na minha visão de espectadora, as produções começaram a ser mais livres, bem acabadas… Mais ousadas. E é isso que atrai grande parte dos fãs de cinema. E também o público que está em busca de diversão. Quando a produção é bem feita, você sente gosto de ir ao cinema. E quando a produção é bem feita cativa o público.

Aquela necessidade de fazer cinema “made in brazil” como um artigo de apreciação restrita começou a ser deixada de escanteio, as produtoras nacionais viram como levar os espectadores ao cinema e começaram a fazer isto. As comédias, os temas históricos, os romances, os thrillers policiais e as bonitinhas “comédias românticas” chegaram às salas de cinema assinadas por brasileiros e com elenco essencialmente nacional, mudando a concepção do público na hora de comprar ingressos.

Ouço muitas pessoas criticarem o gosto do “povo brasileiro”. Que o primeiro “Tropa de Elite”, por exemplo, só atraiu milhares de espectadores – não contabilizados oficialmente no mercado ‘paralelo’ – porque abordava o estreito, e muitas vezes vão, eixo realidade – violência.

Eu particularmente não sou fã de filmes de ação, de pancadaria, palavrões, ou de mocotó, por exemplo.

Mas quando estamos falando na ida do público brasileiro às salas de cinema para conferir material nacional, por enquanto precisamos deixar de lado as preferências pessoais e prestar atenção na “transformação” da produção audiovisual brasileira, e no impacto que ela tem sobre a população.

Tropa de Elite 2 – O inimigo agora é outro” levou aos cinemas críticos e cinéfilos, mas levou também o público de cinema. A maioria das pessoas não comenta o figurino, a maquiagem, a iluminação, a fotografia, ou o roteiro do filme, mas vibra com o resultado final da obra. E o objetivo do verdadeiro cinema só se concretiza assim, quando consegue atingir as pessoas, quando chega ao público.

E o resultado das bilheterias mostrou que no Brasil as pessoas estão mudando, e começando a valorizar a produção nacional, mas que também as produções nacionais estão se preocupando mais em atrair o público.

Então a gente vibra sim quando fica sabendo que 10.736.995 foi o número atingido pelo “Tropa de Elite 2” nos cinemas após 9 semanas de exibição, rodeado por um intenso trabalho contra as cópias “alternativas”.

Sinceramente, não ligo se o tema do filme é este ou aquele. É produto nacional, é bem feito e deve ser apreciado.