Criada há 80 anos por Adhemar Gonzaga, a Cinédia é, ainda hoje, umas das maiores produtoras brasileiras de todos os tempos. Apesar de há muitos anos não lançar nenhum filme, a empresa é mantida por Alice Gonzaga, filha de Adhemar, com foco na preservação e recuperação de seu acervo.

Entre os filmes clássicos da história dessa companhia de cinema estão “Lábios sem Beijos”, “Ganga Bruta”, “Limite”, “O Ébrio”, “Brasa Dormida”, “Bonequinha de Seda”, e estrelas como Carmen Miranda e sua irmã Aurora, Grande Otelo, Oscarito, Dercy Gonçalves.

A preservação nunca foi um ponto forte do cinema brasileiro. Muitas obras icônicas se perderam na história por falta de cuidados e por infortúnios como enchentes e incêndios. Para reverter esse processo, Alice, que é pesquisadora e passou a vida trabalhando na Cinédia, coordena os trabalhos de restauração dos filmes, criou e preside o Instituto para Preservação da Memória do Cinema Brasileiro, que busca reunir fundos e destiná-los à recuperação das películas estragadas pelo tempo.

Do acervo do estúdio, já foram restaurados cerca de 17 longas, de um total de 40. Alguns ainda estão no processo. Outra parte deste acervo será digitalizada. São textos históricos e fotos que somam quase 100 mil documentos, e serão disponibilizados para consulta gratuita pela internet.

Alice foi homenageada no Grande Prêmio do Cinema Brasileiro deste ano com o Prêmio especial de Preservação.


Para o futuro a Cinédia pretende voltar a produzir. Existem planos de filmar um roteiro da década de 90, “Hannah”, sobre a perseguição aos judeus e as atividades nazistas em território brasileiro durante a Segunda Guerra Mundial. O pesquisador Hernani Heffner é o responsável pela definição dos novos conceitos da produtora, e quem está a frente dessa nova empreitada.

Existe também a idéia da criação de um box com os clássicos da companhia em blu-ray, que finalmente traria esses filmes de volta para o público, garantindo a preservação dessa história e colocando a Cinédia de volta no seu lugar de destaque.