“A solidão é meu cigarro”, já dizia Zeca Baleiro. Em Natimorto, filme do diretor Paulo Machline rodado em 2009 e que estreiou na última sexta-feira, o trecho da música parece ser o mote de toda a história, apenas com a diferença de que a solidão é a dois.

Com tom de tensão e conflito bem carregado, o diretor leva às telas a atriz Simone Spoladore, que interpreta uma cantora, e o autor do livro que inspirou o longa, Lourenço Mutarelli,  que já havia adaptado outro livro para o indigesto O Cheiro do Ralo.

Diálogos arrastados e um tanto literários dão espaço para o público refletir sobre o equilíbrio, a dependência entre as pessoas e a degradação. Um drama com todas as letras e ruídos.

Um agente musical (Lourenço Mutarelli) tem costumes, no mínimo, intrigantes. Fumante compulsivo, vê as imagens antitabagistas dos maços de cigarro como cartas de tarô que definem o futuro. Às voltas com o fim do casamento, infeliz e sem perspectivas, ele conhece uma cantora (Simone Spoladore) e propõe viver com ela em um quarto de hotel até o fim da vida. O cigarro e a convivência são os temas centrais das vãs filosofias que o agente e a cantora discutem.
Elenco: Lourenço Mutarelli, Simone Spoladore, Betty Gofman.